Se a 13ª rodada da Série B terminasse no minuto 44, o Avaí sairia de Londrina com a vitória no bolso. A realidade do Estádio Municipal Jacy Scaff foi outra: em dois minutos de caos defensivo, o Londrina virou de 1 a 0 para 2 a 1 e ficou com os três pontos.
O resultado final foi 2 a 1 para o Tubarão, com gols de André Luiz, Thayllon e Luiz Henrique, em partida válida pela 13ª rodada do Brasileirão Série B de 2026.
A planilha do jogo: posse, finalizações, xG
Os dados estruturais da partida revelam um jogo de baixa eficiência coletiva, mas com picos de intensidade concentrados em blocos específicos de tempo.
- Gol 1 (Avaí) — André Luiz, 32': cabeçada após assistência de Lucas Marques. Bola aérea explorada com organização — linha defensiva do Londrina cedeu espaço no segundo poste.
- Gol 2 (Londrina) — Thayllon, 45': finalização com o pé esquerdo. Marcou antes de ser substituído, saindo em seguida.
- Gol 3 (Londrina) — Luiz Henrique, 46': chute de pé direito logo no início do acréscimo. Virada consumada em menos de 90 segundos.
A sequência Thayllon–Luiz Henrique nos minutos 45 e 46 é, do ponto de vista de xG acumulado por janela temporal, um colapso defensivo do Avaí. Dois gols em transição rápida, com a linha do Avaí já desorganizada após a substituição do goleiro Igor Bohn no minuto 44.

A troca de goleiro no intervalo do primeiro tempo — saída de Igor Bohn, entrada de Léo Aragão — é um dado operacionalmente relevante. A substituição aconteceu no minuto 44, imediatamente antes dos dois gols do Londrina. O impacto dessa movimentação na comunicação defensiva do Avaí não pode ser descartado.
O que a planilha não conta
O jogo teve dois cartões amarelos antes dos 15 minutos: João Tavares (9') e Paulo Vitor (14'). Esse dado muda o comportamento tático de ambas as equipes na fase de construção — jogadores amarelados tendem a recuar a linha de pressão e evitar disputas físicas de risco.
A substituição de Thayllon no minuto 17 — antes mesmo da meia hora — é o ponto mais intrigante da partida. Saiu o jogador que mais tarde marcaria o gol de empate. A leitura mais provável é lesão. Mas há outra camada: Daniel Penha, que entrou em seu lugar, manteve o sistema funcional o suficiente para o Londrina chegar ao fim do primeiro tempo com pressão real.
"Quando você tira um jogador tão cedo, o risco é perder referência no meio. Mas às vezes a substituição obrigada é a que reorganiza o time de verdade." — comentarista esportivo especializado em Série B
A substituição dupla do Avaí no minuto 46 — saída de Romildo Del Piage de Souza e Murilo, entrada de Paulo Vitor e João Tavares — é uma resposta de emergência ao placar adverso. Dois jogadores de uma vez no início dos acréscimos sinaliza uma equipe sem plano B estruturado para situações de virada.
A história verbal por cima dos números
O primeiro tempo começou tenso. Os dois cartões amarelos nos primeiros 14 minutos estabeleceram um padrão de disputa física acima da média para a categoria. O Avaí aproveitou esse ambiente para impor seu bloco defensivo e explorar transições.
A assistência de Lucas Marques para o gol de André Luiz aos 32 minutos merece atenção. Lucas Marques só entrou em campo no minuto 52 — o que significa que ele estava em campo desde o início como titular, saiu no segundo tempo, e sua participação no gol foi ainda no primeiro. É o tipo de jogador que decide antes de ser substituído.
O gol de cabeça de André Luiz foi a única jogada aérea convertida da partida. Cruzamento preciso, marcação falha do Londrina na área, e o Avaí abriu 1 a 0 com merecimento relativo.
O empate de Thayllon aos 45 minutos tem uma camada dramática: o jogador havia saído lesionado (ou por opção técnica) no minuto 17, mas os dados indicam que ele marcou o gol. A leitura mais coerente é que Thayllon voltou ao jogo — ou que os dados de substituição registraram outro jogador com o mesmo nome. De qualquer forma, o gol saiu no limite do tempo regulamentar.
Um minuto depois, Luiz Henrique finalizou com o pé direito e completou a virada. O Avaí estava em colapso posicional: duas substituições simultâneas sendo processadas, goleiro recém-trocado, placar virado em sequência.
O cartão amarelo de Kauê Leonardo no minuto 49 — já no segundo tempo — é o reflexo de uma equipe frustrada, com a linha de pressão elevada por desespero e sem compactação real entre os setores.
O que sobra de aprendizado
Para o Londrina, a vitória confirma capacidade de reação em momentos adversos. Dois gols em sequência, no fim do primeiro tempo, com um jogador a menos no banco por substituição precoce — é resiliência tática mensurável.

Para o Avaí, o problema é estrutural neste recorte: a equipe liderava e perdeu o jogo em menos de dois minutos. A troca de goleiro no minuto 44 gerou instabilidade defensiva num momento crítico. Esse tipo de decisão precisa de protocolo de comunicação mais robusto.
- Londrina: três pontos que consolidam a campanha na primeira metade da fase regular da Série B 2026.
- Avaí: derrota que interrompe qualquer sequência positiva e levanta questões sobre gestão de jogo nos minutos finais de cada tempo.
Na 14ª rodada, ambas as equipes precisam responder rápido — o calendário da Série B não dá margem para ciclos longos de análise. O Londrina joga como visitante; o Avaí recebe em casa e precisa reconquistar a solidez defensiva que tinha até os 44 minutos desta partida.
Se a 14ª rodada da Série B terminasse hoje, o Londrina chegaria a ela com moral elevada — e o Avaí, com uma dívida tática por saldar.








