A ausência de Neymar obrigou o Santos a uma reformulação tática radical para enfrentar a Série B em 2026. O clube da Vila Belmiro abandonou o esquema 4-3-3 ofensivo que caracterizava o time com o astro e adotou uma formação 4-4-2 com dupla de volantes, priorizando solidez defensiva e construção coletiva. A mudança reflete uma nova filosofia implementada pela comissão técnica após a saída do camisa 10 para o Al-Hilal, da Arábia Saudita.

O técnico Fábio Carille reestruturou completamente o sistema de jogo santista, transformando Guilherme no principal articulador ofensivo. O meio-campista de 23 anos assumiu as responsabilidades criativas que antes cabiam a Neymar, registrando média de 3,2 passes decisivos por partida nas primeiras nove rodadas da Série B. Os números representam aumento de 40% em relação à temporada anterior, quando dividia a função com outros jogadores.

Defesa ganha protagonismo com novo esquema

A principal transformação aconteceu no setor defensivo, onde o Santos reduziu drasticamente a média de gols sofridos. Com Neymar em campo na temporada passada, a equipe sofria 1,8 gols por jogo na média. Atualmente, esse número caiu para 0,9 tentos por partida, reflexo da nova postura tática mais cautelosa. O zagueiro Jair, contratado por R$ 4,2 milhões junto ao Botafogo, se tornou peça fundamental no novo sistema.

Defesa ganha protagonismo com novo esquema Santos encontra nova identidade tátic
Defesa ganha protagonismo com novo esquema Santos encontra nova identidade tátic
"Tivemos que encontrar um equilíbrio diferente sem o Neymar. Agora priorizamos a solidez defensiva para depois buscar as oportunidades de ataque", explicou Carille em entrevista coletiva após a vitória sobre o Ceará por 2 a 1.

O lateral-direito Aderlan também ganhou novas atribuições no esquema reformulado. Além das funções defensivas tradicionais, ele passou a atuar como válvula de escape nas saídas de bola, participando ativamente da construção ofensiva pelo lado direito. Seus números defensivos impressionam: 87% de acerto nos desarmes e apenas duas faltas cometidas em nove jogos.

Meio-campo assume responsabilidades criativas

A dupla de volantes formada por João Schmidt e Diego Pituca se consolidou como o coração do novo Santos. Schmidt, revelado na base santista, aumentou sua participação ofensiva em 35% comparado à temporada anterior, quando dividia espaço com outros meio-campistas. O jogador de 20 anos soma quatro assistências e dois gols nas primeiras rodadas, números que superam toda sua produção em 2025.

Pituca, por sua vez, assumiu as funções de primeiro volante, com média de 68 toques na bola por partida e 91% de acerto nos passes. O experiente jogador de 29 anos se tornou o maestro da equipe, ditando o ritmo das jogadas e oferecendo segurança na saída de bola. Sua presença permitiu que outros jogadores assumissem posições mais avançadas no campo.

Ataque coletivo substitui dependência individual

O setor ofensivo passou pela maior transformação com a saída de Neymar. O Santos deixou de concentrar as jogadas em um único jogador e distribuiu as responsabilidades entre diferentes atletas. O atacante Wendel Silva, contratado por R$ 8 milhões junto ao Porto, assumiu a referência no ataque, mas com características completamente distintas do astro que deixou o clube.

Silva privilegia o jogo aéreo e a finalização dentro da área, contrastando com o estilo driblador de Neymar. Em nove jogos, o centroavante marcou seis gols e ofereceu três assistências, números que demonstram sua adaptação ao novo sistema. O ponta-esquerda Kevyson, promovido da base, completou a reformulação ofensiva com velocidade e juventude nas jogadas pelos flancos.

Meio-campo assume responsabilidades criativas Santos encontra nova identidade tá
Meio-campo assume responsabilidades criativas Santos encontra nova identidade tá
"Não podemos tentar substituir o Neymar com um único jogador. Nossa força agora está no coletivo e na organização tática", declarou o diretor de futebol Alexandre Gallo durante apresentação do planejamento para 2026.

A estratégia santista para a Série B prioriza consistência sobre genialidade individual. Os resultados iniciais mostram efetividade da nova abordagem: o time soma 19 pontos em nove jogos, ocupando a terceira colocação na tabela. O Santos volta a campo na próxima terça-feira contra o Mirassol, no Pacaembu, buscando manter a sequência positiva que pode garantir o retorno à elite em 2026.