0 minutos. Esse é o tempo que Endrick jogou na estreia do Brasil contra Marrocos, neste sábado (13), no MetLife Stadium, em Nova Jersey — e o número é mais eloquente do que qualquer argumento tático que Carlo Ancelotti possa oferecer nos próximos dias. Enquanto o Brasil oscilava entre o caos defensivo do primeiro tempo e uma recuperação incompleta na etapa final, o atacante de 19 anos permaneceu no banco, observando Igor Thiago furar uma cabeçada clara quando o placar ainda estava em 0 a 0 e, depois, Luiz Henrique entrar como opção ofensiva nos minutos finais.

O que Igor Thiago e Luiz Henrique entregaram como opção de ataque

A lógica de Ancelotti para escalar Igor Thiago como centroavante titular nunca foi totalmente explicada ao torcedor brasileiro — e o jogo não ajudou a construir essa narrativa. O atacante do Club Brugge, contratado por cerca de 30 milhões de euros pelo clube belga em 2023, teve uma participação praticamente nula nos 90 minutos que ficou em campo, com destaque negativo para a cabeçada desperdiçada ainda no primeiro tempo, em posição frontal ao gol de Bono. Segundo o ESPN, sua nota na partida foi 4,0 — a pior entre os titulares brasileiros avaliados.

O que Igor Thiago e Luiz Henrique entregaram como opção de ataque Por que Endric
O que Igor Thiago e Luiz Henrique entregaram como opção de ataque Por que Endric

Aos 16 minutos do segundo tempo, Igor Thiago foi substituído por Luiz Henrique, revelado pelo Botafogo e atualmente no Betis. A entrada do ponta de 23 anos melhorou a movimentação pelo lado direito do ataque, mas sem profundidade suficiente para criar situações claras de gol. O Brasil terminou a partida com apenas cinco finalizações no alvo em toda a partida, segundo dados da transmissão oficial.

Ancelotti ainda promoveu as entradas de Fabinho por Casemiro, Danilo por Ibañez, Matheus Cunha por Paquetá e Danilo Santos por Bruno Guimarães — cinco trocas ao longo dos 90 minutos, nenhuma delas envolvendo Endrick.

O histórico de Endrick que Ancelotti ignorou no banco Por que Endrick ficou 90 m
O histórico de Endrick que Ancelotti ignorou no banco Por que Endrick ficou 90 m

O histórico de Endrick que Ancelotti ignorou no banco

A decisão chama atenção quando confrontada com o currículo recente do atacante. Endrick foi revelado pelo Palmeiras, onde estreou profissionalmente aos 16 anos, em outubro de 2022 — tornando-se um dos jogadores mais jovens a marcar na história do Brasileirão. No ciclo de preparação para esta Copa do Mundo, acumulou participações decisivas em amistosos e eliminatórias, incluindo gol na goleada por 6 a 2 sobre o Panamá em maio de 2026. Pelo Real Madrid, onde chegou em julho de 2024, vem disputando espaço e acumulando minutos na temporada 2025/2026 da La Liga.

A trajetória de base de Endrick no Palmeiras incluiu passagem pelas categorias sub-17 e sub-20, onde se destacou pela capacidade de decidir em momentos de pressão — exatamente o perfil que o Brasil precisava quando o placar marcava 1 a 1 e Marrocos ameaçava nos acréscimos. Alisson precisou fazer uma defesa difícil no final da partida para evitar a derrota. Endrick estava no banco.

"A pior notícia de todas diz respeito a um jogador que não entrou em campo. Carleto continua não acreditando em Endrick, inexplicavelmente. Pode custar cara a teimosia do italiano, para todos nós." — Colunista do UOL Esporte

A crítica não é isolada. Parte da imprensa especializada e da torcida brasileira — que acompanhou Endrick marcar gols decisivos ainda adolescente — não encontra respaldo técnico na opção pelo centroavante titular que furou a cabeçada mais fácil da partida.

O que o empate revela sobre o projeto de Ancelotti para a Copa

O resultado de 1 a 1 coloca Brasil e Marrocos com um ponto cada no Grupo C, ao lado de Haiti e Escócia. A situação não é dramática — o formato de 48 seleções da Copa do Mundo de 2026 amplia o número de classificados — mas o desempenho expôs fragilidades estruturais que vão além da ausência de Endrick.

Como registrado por SportNavo antes da estreia, a dúvida sobre o papel do atacante no esquema de Ancelotti já existia. O jogo contra Marrocos não respondeu: apenas confirmou que o treinador italiano prefere trabalhar com perfis conhecidos mesmo quando eles não funcionam. Igor Thiago entrou, errou o gol mais fácil da partida e saiu sem ter segurado uma bola no ataque. Luiz Henrique entrou, melhorou o lado direito, mas não criou chances claras.

Há um paralelo que a situação evoca naturalmente: em Moneyball, o filme de 2011 baseado na história real de Billy Beane, o argumento central é que técnicos experientes tendem a confiar em jogadores conhecidos mesmo quando os dados apontam para outra direção. Ancelotti, com cinco títulos da Champions League no currículo, é o arquétipo do treinador que confia no que viu — e o que ele viu de Endrick ainda não foi suficiente para colocá-lo acima de Igor Thiago na hierarquia do ataque.

O problema é que o Brasil de 2026 não tem o luxo do tempo. O meio-campo foi dominado por Brahim Díaz durante boa parte do primeiro tempo. Casemiro foi substituído no intervalo após atuação apagada. Raphinha, nota 4,5 segundo a ESPN, voltou pelo lado esquerdo e sumiu do jogo. Vinicius Jr., com seu nono gol em 50 jogos pela Seleção, foi o único capaz de criar algo diferente — e o fez de forma individual, sem suporte coletivo.

"O empate com o Marrocos está na medida do tamanho atual do Brasil. [...] O Brasil saiu no lucro no primeiro tempo. Em 20 minutos de amasso, os marroquinos poderiam ter feito três." — Colunista do UOL Esporte

A próxima partida do Brasil é contra o Haiti, na sexta-feira (19), às 21h30 (horário de Brasília), no Lincoln Financial Field, em Filadélfia. Histórico favorável — Brasil venceu o Haiti por 7 a 1 na Copa América Centenário de 2016 — mas o jogo precisa ser usado para ajustar o que não funcionou contra Marrocos. A questão concreta que Ancelotti terá que responder até lá é simples: Endrick entra ou fica novamente no banco enquanto o Brasil procura um centroavante que segure a bola?